31.1.06

uma coisa em forma de letra



.: TYPE SOMETHING :.

—
Dairy Type + Performance
letras interactivas construídas a partir de grades de leite

29.1.06

insónia

Lá há pessoas, imaginem,
que não dormem!
E porque não dormem?
Porque nunca têm sono.
E porque não têm sono?
Porque são loucos.
Então os loucos não têm sono?
Como é que os loucos podem ter sono!

—
Franz Kafka, Reflexões
Ulmeiro, 1999, pág. 13–17

28.1.06

um aquário de melancolia

Certas mãos ociosas como peixes
num aquário de melancolia.

—
Alexandre O'Neill, Poesias Completas (1951–1986)
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1995, pág. 107

np / 17:15



elephant eyelash //
why?

—
2005

25.1.06

a rapariga de olhos fixos


Conheci uma miúda
que se punha a olhar fixamente
para tudo o que via à frente;
era-lhe indiferente.

Olhava para o chão,

olhava para o alto,

olhava para ti longamente
se te apanhasse incauto.

Mas depois de ter ganho o concurso local de olhar fixamente,

levou os olhos a banhos
para descansarem finalmente.

_
Tim Burton, A Morte Melancólica do Rapaz Ostra & Outras Estórias
Errata, 2000, pág. 16–27

24.1.06

uma coisa em forma de ladrilho



[][][] Tile Machine [][][]

_
a free, online design tool for creating 8x8, 16x16, or 32x32 tiles to use as background images or wallpaper

23.1.06

o sétimo factor



—
"Conjugação de seis factores faz com que 23 de Janeiro possa ser uma data muito má para muita gente."

uma coisa em forma de descoberta



►►Flipbook! ►►►

—
Flipbook! is the drawing game that allows people to create simple animations and share them with the world.

22.1.06

o site já está online!


 

ANIME WEEKEND AVEIRO 2006

—
16–19.02 /
Parque de Exposições de Aveiro


anime. workshops. exposições. concertos.
projecções audiovisuais. lojas. cozinha japonesa.

—

+ info /
animeweekend.aveiroexpo.pt

16.7.05

fala!

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

—
Eugénio de Andrade, Poesia e Prosa (1940–1980)
Limiar, 1981, pág. 49